A pesquisa estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) para o Carnaval de 2026, divulgada nesta quinta-feira (21), aponta para uma movimentação financeira recorde estimada em R$ 14,48 bilhões. Caso confirmado, esse volume de receitas representa um crescimento real de 3,8% em comparação ao mesmo período do ano passado, já descontada a inflação.
O otimismo do setor é impulsionado pelo fluxo recorde de turistas estrangeiros e pela estabilização dos preços de serviços essenciais, o que deve gerar ainda a abertura de 39,2 mil vagas de empregos temporários.
Projeção do governo e Fecomércio
Já a projeção do governo e da Fecomércio-SP é que o Carnaval de 2026 deve impulsionar fortemente a atividade turística no Brasil, com previsão de faturamento de R$ 18,6 bilhões apenas no mês de fevereiro — crescimento de 10% em relação ao mesmo período do ano passado. Caso se confirme, será o melhor resultado para o mês desde o início da série histórica, em 2011, com base em dados do IBGE.
O desempenho reflete o momento positivo vivido pelo setor, sustentado pelo aumento da renda, pela geração de empregos e pela desaceleração da inflação, fatores que fortalecem o consumo e estimulam as viagens pelo país. Mesmo com o Carnaval sendo ponto facultativo, a data tradicionalmente movimenta intensamente a cadeia do Turismo, com destaque para os segmentos de transporte aéreo e rodoviário, hospedagem, locação de veículos, alimentação e entretenimento.
Segundo o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, a expectativa é de que a festa consolide o bom momento do setor e gere oportunidades em todas as regiões do país. “Esses R$ 18,6 bilhões projetados mostram a força do Carnaval como indutor do turismo e do desenvolvimento econômico. É um período que movimenta milhões de brasileiros, gera emprego, renda e fortalece os pequenos e médios negócios, além de valorizar nossa cultura e os destinos nacionais”, destacou o ministro.
Faturamento do turismo
Atualmente, o faturamento do turismo no Brasil já se encontra 13% acima do patamar registrado em fevereiro de 2020, antes da pandemia de covid-19. Para o carnaval de 2026, o setor de bares e restaurantes será o principal motor da economia do feriadão, com uma movimentação esperada de R$ 5,77 bilhões.
Na sequência, destacam-se as empresas de transporte rodoviário e aéreo (R$ 3,73 bilhões) e os serviços de hospedagem em hotéis e pousadas (R$ 1,44 bilhão). Juntos, esses três segmentos são responsáveis por mais de 74% de toda a receita gerada durante a festa nacional.
“Além de uma riquíssima celebração cultural que envolve grande parte da população brasileira, o carnaval é combustível para que o comércio e o turismo encerrem a alta temporada de verão e comece o ano com bons resultados”, analisa o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros. “É o momento de mostrarmos o que temos de melhor em nosso país também para os visitantes estrangeiros, que cada vez mais procuram o Brasil para investir seu dinheiro em viagens na busca por lazer e alegria”, complementa Tadros.
Fluxo de turistas estrangeiros
A projeção da CNC tem como um de seus principais pilares a chegada recorde de visitantes internacionais. Para fevereiro de 2026, estima-se a entrada de 1,42 milhão de turistas estrangeiros, um aumento de 4,0% em relação ao Carnaval de 2025. O cenário favorável é reflexo do desempenho observado ao longo de 2025, quando o país recebeu 9,3 milhões de visitantes de janeiro a outubro — um salto de 37,1% frente a 2024, liderado por viajantes da Argentina, Chile e Estados Unidos.
Internamente, o consumo é favorecido por uma dinâmica de preços mais branda. Entre janeiro e novembro de 2025, o IPCA registrou desaceleração, passando de 4,9% em 2024 para 4,5%.
“Os indicadores econômicos na virada do ano mostram um sinal positivo para o comércio, aliado ao pleno emprego e a uma relativa maior remuneração do trabalhador. Esses fatores, combinados à crescente presença de estrangeiros com sua moeda valorizada criam um ambiente propício para o recorde de faturamento do setor no carnaval”, avalia o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.
Contratações temporárias
A demanda sazonal deve mobilizar significativamente o mercado de trabalho, com a oferta de 39,2 mil postos temporários. O segmento de alimentação fora do domicílio (bares e restaurantes) lidera as contratações com 27,9 mil vagas, seguido pelos transportes (4,3 mil) e pelo setor hoteleiro (4,1 mil).
Apesar do aumento no volume de contratações para o período, a CNC observa uma tendência de menor retenção desses profissionais. A taxa de efetivação para 2026 está estimada em 11%, um recuo frente aos 16% registrados no ano anterior. Esse comportamento sinaliza uma estabilização do setor após o ciclo de reposição de vagas eliminadas durante o período mais agudo da crise sanitária, quando as taxas de efetivação chegaram a atingir 24% entre 2021 e 2022.
Viagens e destinos
Além das grandes viagens, os deslocamentos regionais e de curta distância também contribuem de forma significativa para a economia local, beneficiando hotéis, pousadas, bares, restaurantes, guias de turismo e prestadores de serviços em destinos urbanos e litorâneos. “O empresário do Turismo pode se beneficiar do potencial aumento de receita nessa esteira do segmento de lazer, que começa em dezembro e se estende até o carnaval”, destacou o presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, Guilherme Dietze.
A programação de blocos de rua, eventos culturais e festas em capitais e cidades turísticas amplia o fluxo de visitantes e aquece o comércio, reforçando o papel do Carnaval como um dos principais motores da temporada de verão.
Levantamento da plataforma Booking.com aponta que destinos como Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e Belo Horizonte (MG) lideram as preferências dos viajantes, contemplando diferentes perfis de público — desde quem busca combinar praia, calor e grandes festas até aqueles que querem aproveitar intensamente a folia urbana. Entre os turistas internacionais, cidades como Florianópolis (SC) e São Paulo (SP) também figuram entre os destinos mais desejados para o período.