Acordo Mercosul–União Européia: Câmara Brasil-Portugal do Ceará destaca oportunidades para o NE

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A assinatura desse acordo, que levou mais de duas décadas para ser construída, é vista com muitos bons olhos, com a formação de uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, envolvendo cerca de 720 milhões de consumidores Foto: Agência EBC

Após mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia marca um novo capítulo nas relações econômicas entre os dois blocos. Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que mais de 5 mil produtos brasileiros poderão ter o imposto de importação zerado assim que o acordo entrar em vigor.

Enorme potencial

Para a presidente da Câmara Brasil-Portugal do Ceará, Patrícia Campos, o acordo representa um avanço histórico e cria um ambiente altamente favorável para novos negócios. “A assinatura desse acordo, que levou mais de duas décadas para ser construída, é vista com muitos bons olhos. Estamos falando da formação de uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, envolvendo cerca de 720 milhões de consumidores”, destaca.

Segundo Patrícia, a redução gradual das tarifas deve gerar impactos expressivos. “Estudos iniciais indicam uma redução de pelo menos 4 bilhões de euros em tarifas. Isso facilita o comércio, reduz custos e amplia significativamente as oportunidades, especialmente para o mercado brasileiro, que responde por cerca de 80% dos produtos exportados e importados dentro do acordo”, afirma.

Ceará e benefícios a setores

No recorte regional, o Nordeste, e particularmente o Ceará, tende a se beneficiar em diversos setores. “O acordo envolve áreas estratégicas como agronegócio, alimentos, minerais e produtos industrializados, como o aço. Para o Ceará, destacam-se a indústria do aço, rochas ornamentais, calçados, ceras vegetais e o setor de pescado, que, apesar de ainda enfrentar algumas restrições, segue em processo de negociação e adequação”, explica.

Além do comércio de bens, Patrícia ressalta que o acordo, assinado no último dia 17, deve impulsionar serviços e investimentos. “Haverá uma forte convergência de negócios em áreas como logística, prestação de serviços e cadeias produtivas associadas. Tudo isso exige organização, adaptação às normas europeias e avanço na desburocratização”, pontua.

Fluxo comercial

Em 2024, o fluxo comercial entre Mercosul e União Europeia alcançou cerca de 111 bilhões de euros. A expectativa, segundo a presidente da Câmara, é de crescimento acelerado. “Não há ainda um estudo formal fechado, mas acreditamos que, no curto, médio e longo prazo, esse volume pode ao menos dobrar, e possivelmente superar esse patamar”, projeta.

Portugal, na avaliação de Patrícia, enxerga o acordo como uma porta aberta para intensificar relações com o Brasil. “Trabalhamos constantemente na facilitação da internacionalização de empresas cearenses para Portugal e de empresas portuguesas para o Ceará. Com o acordo, esse movimento tende a se intensificar, ampliando investimentos e o alcance do mercado consumidor”, afirma.

Preparação

Apesar do cenário promissor, Patrícia alerta para a necessidade de preparação das empresas brasileiras. “O acordo não elimina as exigências do mercado europeu. As empresas precisam se organizar, buscar assessorias especializadas, adequar-se às normas tributárias, especialmente diante da reforma tributária prevista a partir de 2026,  e garantir capacidade produtiva para atender a um mercado muito maior”, conclui a presidente da CBP do Ceará.