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O segundo colocado entre os estados exportadores foi o Ceará, que em agosto embarcou 1,8 milhão de pares por US$ 12,55 milhões, queda de 1,9% em volume e incremento de 24,8% em receita em relação a igual período do ano passado

 

Exportações de calçados atingem pior resultado desde a pandemia; queda de 1,9% no Ceará

Entre janeiro e agosto, foram embarcados ao exterior 62,45 milhões de pares, que geraram US$ 541,45 milhões, quedas de 7,5% em volume e de 16,8% em receita no comparativo com o mesmo período do ano passado. No recorte de agosto, as exportações somaram 7,13 milhões de pares e US$ 70,8 milhões, quedas de 6,6% e 8,1%, respectivamente, ante o mesmo mês de 2025. Tratam-se dos piores resultados desde 2020, ano impactado pela pandemia de Covid-19.

Estados

O principal exportador de calçados do Brasil segue sendo o Rio Grande do Sul. Em agosto, partiram das fábricas gaúchas 2,46 milhões de pares, que geraram US$ 34,95 milhões, quedas de 14,7% em volume e de 16,6% em receita no comparativo com o mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, as exportações gaúchas somaram 22 milhões de pares e US$ 269,54 milhões, incremento de 3,2% em volume e queda de 14,4% em receita no comparativo com o mesmo intervalo de 2025.

Ceará  

O segundo colocado entre os estados exportadores foi o Ceará, que em agosto embarcou 1,8 milhão de pares por US$ 12,55 milhões, queda de 1,9% em volume e incremento de 24,8% em receita em relação ao período correspondente do ano passado.

No acumulado do ano, as exportações cearenses somaram 17,52 milhões de pares e US$ 97,3 milhões, quedas de 17,8% e 23,8%, respectivamente, ante o mesmo intervalo de 2025 .

No terceiro posto entre os exportadores brasileiros aparece São Paulo. Em agosto, partiram das fábricas paulistas 433 mil pares, que geraram US$ 6,73 milhões, quedas de 28,7% e 19,9% em relação a agosto de 2025. No acumulado do ano, as exportações locais somaram 3,9 milhões e US$ 55,5 milhões, reveses de 17,6% e 18,6%, respectivamente, no comparativo com intervalo correspondente do ano passado.

Importações

As importações de calçados, em especial provenientes da Ásia, seguem pressionando a produção nacional. Os dados apontam que, entre janeiro e agosto, entraram no Brasil 33 milhões de pares por US$ 429,7 milhões, incrementos tanto em volume (+9,6%) quanto em receita (+11%) em relação ao mesmo ínterim de 2025.

Os dados foram elaborados pela Associação Brasileira da Indústria e Comércio de Calçados (Abicalçados), com base nos registros da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), demonstram um quadro preocupante para o setor.

Impacto dos EUA

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que o movimento de queda está associado, principalmente, às dificuldades com as exportações para os Estados Unidos e para a Argentina. “No acumulado do ano, Estados Unidos e Argentina são responsáveis pela perda de US$ 111 milhões em exportações, em comparação com o mesmo período do ano passado”, ressalta.

Segundo Ferreira, apesar dos esforços do setor para a diversificação de destinos, o crescimento em terceiros mercados, em especial da América Latina, não compensou integralmente as perdas nos Estados Unidos e Argentina, os dois principais destinos internacionais das exportações de calçados. “Nos Estados Unidos, seguimos sentindo reflexos do tarifaço, enquanto na Argentina existe uma queda no consumo e uma predominância cada vez maior de calçados provenientes da Ásia, impulsionados pela redução tarifária aos produtos extra-Mercosul ”, completa o executivo.

Destinos

Em agosto, o principal destino do calçado brasileiro no exterior foi os Estados Unidos. No mês, foram embarcados para lá 1,13 milhão de pares, que geraram US$ 19,42 milhões. O volume ficou 40,5% acima do registrado no mesmo mês de 2025, enquanto a receita sofreu retração de 9,2%.

Em agosto, o preço médio do calçado embarcado para os Estados Unidos caiu 35,4%, para US$ 17,20, “movimento que está associado à maior retração de categorias de maior valor unitário, especialmente calçados de couro, e à mudança do perfil das vendas para o mercado, além da baixa base de comparação do mês de agosto do ano passado", analisa Ferreira. No acumulado do ano, as exportações para os Estados Unidos somaram 7,38 milhões de pares e US$ 120,5 milhões, quedas de 4,1% em volume e de 22,8% em receita no comparativo com o mesmo período de 2025.

O segundo destino de agosto foi a Argentina. No mês, foram embarcados para o país vizinho 1,25 milhão de pares, que geraram US$ 11,5 milhões, quedas de 23% e 37,6% respectivamente, no comparativo com o mês de agosto de 2025. No acumulado do ano, os hermanos importaram 4,52 milhões de pares por US$ 60,3 milhões, quedas de 51,6% e 55,6% ante o mesmo intervalo do ano passado.

Fechando o ranking dos três principais destinos aparece o Paraguai. Em agosto, foram exportados para lá 681,2 mil pares por US$ 5,2 milhões, queda de 22,3% em volume e incremento de 21,1% em receita em relação ao período correspondente do ano passado. No acumulado do ano, foram embarcados para o país vizinho 5,4 milhões, que geraram US$ 31 milhões, queda de 9,4% em volume e incremento de 12% em receita no comparativo com igual período de 2025.

Origens  

As principais origens do calçado brasileiro seguem sendo os países asiáticos China, Vietnã e Indonésia, que respondem por cerca de 8 de cada dez pares importados pelo Brasil. No acumulado do ano, as importações provenientes da China somaram 10,28 milhões de pares e US$ 33,7 milhões, incrementos de 21,7% e 8,1%, respectivamente, no comparativo com o mesmo período do ano passado.

Na segunda posição, no acumulado do ano, o Vietnã embarcou ao Brasil 9,77 milhões de pares por US$ 214,37 milhões, aumentos de 2,1% e 14,8% ante o mesmo intervalo do ano passado.

Fechando o ranking das principais origens do produto importado pelo Brasil aparece a Indonésia. Nos oito meses de 2025. o país asiático embarcou para cá 5,42 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 97,12 milhões, queda de 13,5% em volume e incremento de 1,4% em receita no comparativo com o mesmo período do ano passado.

Em partes de calçados - cabedais, solas, saltos, palmilhas etc -, as importações de 2026 somaram US$ 34,47 milhões, incremento de 16,7% em relação ao mesmo período do ano passado. As principais origens foram China, Paraguai e Vietnã.