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A inflação nos preços da cesta básica foi influenciada por alta nos preços de nove produtos da cesta: o tomate (29,11%), o feijão (15,15%) e a farinha (7,16%). Em março, a alta em Fortaleza foi de 5,04% Foto: Divulgação

Cesta básica de Fortaleza dispara e acumula 7,52% no trimestre; alta em todas as capitais

Em março de 2026, o conjunto dos 12 produtos que compõem a cesta básica de Fortaleza registrou uma inflação de 5,04%. A alta nos preços de nove dos 12 produtos da cesta básica fez com que um trabalhador, para adquirir os produtos respeitadas as quantidades definidas para a composição da cesta, tivesse que desembolsar R$ 727,90.

Custo e comparação

Considerando o valor e tomando como base o salário mínimo vigente no país de R$ 1.621,00 (valor correspondente a uma jornada mensal de trabalho de 220 horas), pode-se dizer que o trabalhador teve que desprender 98h e 47 minutos de sua jornada de trabalho mensal para essa finalidade. O gasto com alimentação de uma família padrão (2 adultos e 2 crianças) foi de R$ 2.183,70.

Comparando o custo da cesta com o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social (7,5%), verifica-se que o trabalhador fortalezense remunerado pelo piso nacional comprometeu, em março de 2026, 48,55% do seu salário para comprar os alimentos básicos para uma pessoa adulta.

Altas e baixas

A inflação nos preços da cesta básica foi influenciada pela alta nos preços de nove produtos da cesta, dos quais, destacam-se: o tomate (29,11%), o feijão (15,15%) e a farinha (7,16%). Os únicos produtos a registrar reduções em seus preços foram: o açúcar (-0,78%), a manteiga (-0,61%) e o pão (-0,10%).

Semestral e Anual

Observando as variações semestral e anual da Cesta Básica em Fortaleza,
verifica-se que foram de 7,45% e 0,06%, respectivamente. Isto significa que a alimentação básica em março de 2026 (R$ 727,90) está mais cara do que em setembro de 2025 (R$ 677,42) e mais cara do que em março de 2025 (R$ 272,46).

No semestre, dos produtos que compõem a Cesta Básica, seis itens sofreram elevações em seus preços, dos quais, destacam-se: o tomate (42,90%), o feijão (34,73%) e a farinha (11,36%). Outros seis itens apresentaram elevações no preço, com destaques para: o arroz (-12,75%), o açúcar (-7,99%) e o café (-5,15%).

Na série de 12 meses, dos produtos que compõem a Cesta Básica, entre os itens que apresentaram reduções no preço, destacam-se: o arroz (-32,29%), o açúcar (-10,80%) e o tomate (-4,25%). Já os itens que apresentaram as maiores elevações foram o feijão (24,09%), o café (3,77%) e a carne (3,72%).

Quanto subiu

O valor do conjunto dos alimentos básicos subiu nas 27 capitais onde o Dieese, em parceria com a Conab, realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos. Entre fevereiro e março, as principais elevações ocorreram em Manaus (7,42%), Salvador (7,15%), Recife (6,97%), Maceió (6,76%), Belo Horizonte (6,44%), Aracaju (6,32%), Natal (5,99%), Cuiabá (5,62%), João Pessoa (5,53%) e Fortaleza
(5,04%).

São Paulo foi a capital onde o conjunto dos alimentos básicos apresentou o maior custo (R$ 883,94), seguida por Rio de Janeiro (R$ 867,97), Cuiabá (R$ 838,40) e Florianópolis (R$ 824,35). Nas cidades do Norte e do Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 598,45), Porto Velho (R$ 623,42), São Luís (R$ 634,26) e Rio Branco (R$ 641,15).

Em 2026, todas as capitais registraram alta nos preços da cesta básica, com taxas que oscilaram entre 0,77%, em São Luís, e 10,93%, em Aracaju.
Entre março de 2025 e março de 2026, só é possível comparar os preços nas 17 capitais com série histórica completa. Houve alta em 13 cidades e queda em quatro.

Destacam-se os aumentos em Aracaju (5,09%), Salvador (4,51%) e Recife (4,38%). As principais reduções ocorreram em Brasília (-4,63%) e Florianópolis (-0,91%). Com base na cesta mais cara que, em março, foi a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário.

Despesas  

Em março de 2026, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.425,99 ou 4,58 vezes o salário mínimo reajustado em R$ 1.621,00. Em fevereiro, o valor necessário era de R$ 7.164,94 e correspondeu a 4,42 vezes o piso mínimo.

Em março de 2025, o mínimo necessário deveria ter ficado em R$ 7.398,94 ou 4,87 vezes o valor vigente na época, que era de R$ 1.518,00. Em março, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica nas 27 capitais pesquisadas foi de 97 horas e 55 minutos, maior do que o registrado em fevereiro, quando ficou em 93 horas e 53 minutos.

Já em março de 2025, considerando as 17 capitais analisadas, a jornada média foi de 106 horas e 24 minutos. Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, nas 27 capitais pesquisadas em
março de 2026, 48,12% do rendimento para adquirir os produtos alimentícios básicos e, em fevereiro, 46,13% da renda líquida. Em março de 2025, considerando as 17 capitais analisadas, o percentual médio ficou em 52,29%.