Guerra no Irã é suspensa, mas trânsito no estreito de Ormuz não flui
Os preços do petróleo recuaram significativamente no mercado futuro na terça-feira (7 de abril de 2026), após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar a suspensão de ataques ao Irã por duas semanas e um cessar-fogo no Oriente Médio. O Brent caiu para cerca de US$ 94,54 (baixa de 13,5%) e o WTI recuou para a faixa de US$ 99. Na quinta-feira (9/4), a commodity estava cotada a US$ 97.
Passagem por Ormuz
Trump disse que conversou com líderes do Paquistão, que apresentou uma proposta de cessar-fogo de duas semanas na guerra contra o Irã. Além disso, em nota, o ministro dos Negócios iraniano, Abbas Araqchi, comunicou que o seu país cessará os ataques, desde que não sofra ameaças e ataques. "Durante duas semanas, a passagem segura através do Estreito de Ormuz será possível com a coordenação das Forças Armadas do Irã, endo em conta as restrições técnicas existentes, disse.
Mas, oss Emirados Arábes Unidos (EAU) reclamaram, na quinta-feira (9), que a passagem no Estreito de Ormuz, por onde transitam 20% do petróleo e gás do planeta, segue controlado pelo Irã. Os Emirados pedem que a passagem fique totalmente livre.
“O Estreito de Ormuz não está aberto. O acesso está sendo restringido, condicionado e controlado. Passagem condicionada não é passagem. É controle disfarçado. Isso não é liberdade de navegação”, lamentou o ministro da Indústria dos EAU, Sultan Al Jaber.
Segundo ele, 230 navios carregados de petróleo estão prontos para zarpar. “A cada dia que o Estreito permanece restrito, as consequências se agravam. O fornecimento atrasa, os mercados apertam, os preços sobem”, completou o chefe da gigante estatal de petróleo dos Emirados, a Adnoc.
Incerteza
O cenário ainda é considerado incerto, mas a notícia traz um alívio momentâneo após a alta de 70% no WTI desde o início do conflito em fevereiro. Mas os efeitos na economia global ainda serão duradouros. A guerra no Irã provoca impactos negativos em todos os países, com diesel mais caro, fertilizantes e preços que dispararam.
Os países buscam se proteger e garantir o fornecimento de combustível. Sem falar no setor de turismo, com restrições de abastecimento em vários países, em uma das maiores crises da história. Mesmo que a guerra termine efetivamente, levará tempo para recuperação das cadeias produtivas e o preço da guerra será cobrado também via inflação.
Negociação
"Com base em conversas com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o marechal de campo Asim Munir, do Paquistão, e nas quais eles solicitaram que eu suspendesse a força destrutiva sendo enviada esta noite para o Irã, e sujeito à República Islâmica do Irã concordar com a abertura completa, imediata e segura do Estreito de Ormuz, eu concordo em suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas", escreveu Trump nas mídias sociais.
"Esse será um cessar-fogo de mão dupla", disse Trump, que recuou após ameaças de dizimar o Irã. Segundo Trump, uma proposta de 10 pontos foi apresentada para um acordo e que "acredita que é uma base viável para negociar".
Ameaça
Mais cedo, Trump ameaçou acabar com "uma civilização inteira" hoje caso os iranianos não reabrissem o Estreito de Ormuz. “Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada”, anunciou, em mais uma ameaça de genocídio contra o Irã.
Convenções internacionais, como a Convenção de Genebra ou a Convenção sobre Prevenção do Genocídio, proíbem o ataque contra infraestruturas civis ou ações que causem danos a civis, exigindo que os Estados usem ainda a proporcionalidade em suas ações militares.
Estima-se que a civilização persa, da qual o Irã é herdeiro, tenha entre 2,5 mil e 3 mil anos de história, com inúmeras contribuições culturais, filosóficas e científicas deixadas para toda a humanidade.
