101 economistas do CE veem pessimismo neste fim do ano e na projeção futura

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A conjuntura negativa, em suas variáveis que mais afetam a população, se traduz nas expectativas e análises de 101 profissionais cearenses e seu olhar para a economia na pesquisa Fecomércio e Corecon Ceará

O ano termina com pessimismo não só para expressivo contingente de brasileiros, mas também na perspectiva de 101 especialistas em economia cearenses. A deterioração das expectativas reflete os desequilíbrios macroeconômicos do País. A projeção futura, também aponta aumento do pessimismo. Portanto, esta é a sinalização para o cenário de 2022. 

A mostra da Fecomércio-CE e Conselho Regional de Economia (Corecon-CE) traz o último levantamento do ano na pesquisa Índice de Expectativas dos Especialistas em Economia (IEE) (novembro-dezembro), que colhe a opinião com representatividade de profissionais dos mais diversos setores da economia cearense: indústria, agricultura, setor público, mercado financeiro, comércio e serviços.

Economistas, empresários, consultores, executivos de finanças, professores universitários, pesquisadores, analistas e dirigentes de entidades diversas contribuíram com suas percepções.

O economista e professor Ricardo Eleutério Rocha é o analista econômico do levantamento, que funciona como um termômetro do que os especialistas cearenses consideram sobre o momento e como enxergam o cenário futuro.

O que está pesando

De acordo com o professor Ricardo Eleutério, os desequilíbrios econômicos são reflexo das seguintes condições: a taxa de inflação, em aceleração; o câmbio, que sobe pressionando a inflação também para cima; a elevação na taxa de juros, como medida do Banco Central para conter a pressão sobre os preços, mas que repercute em menos consumo, menos investimentos e menos emprego.

Há ainda oferta de crédito, também no campo negativo; os salários reais, que estão perdendo poder de compra diante do processo inflacionário; bem como os gastos públicos, que geram mais déficit, aumentando as incertezas no ambiente econômico.

Pontuação

Nessa pesquisa a pontuação das variáveis conjunturais percebidas com pessimismo foram seis: a oferta de crédito (98,4 pontos), taxa de câmbio (54,9 pontos), taxa de inflação (35,3 pontos), salários reais (32,6 pontos), gastos públicos (28,8 pontos) e taxa de juros (20,1 pontos).Todos são aspectos que impactam em grau significativo a economia e a vida dos brasileiros.

Já o número de variáveis vistas como otimistas foi de apenas três: cenário internacional (134,2 pontos), nível de emprego (113,6 pontos) e evolução do PIB (110,9 pontos).

Futuro também negativo

Sobre o comportamento futuro das variáveis, a pesquisa revela também aumento no pessimismo com a pontuação declinando de 106,3 pontos para 79,0 pontos. Ademais, vale salientar que a percepção sobre o desempenho presente apresentou elevação
de 28,3% no pessimismo, atingindo 60,7 pontos.

Metodologia

A pesquisa pontua de zero a 200 pontos as variáveis analisadas. Abaixo de 100 pontos configura-se uma situação de pessimismo e acima desse valor, otimismo. Cada uma das variáveis analisadas gera três índices: de percepção presente, futura e de expectativa geral. Considerando a soma das variáveis, o índice de percepção geral passou de 95,5 pontos para 69,9 pontos, um aumento de 26,9% no pessimismo em relação à pesquisa anterior.