Percentual de brasileiros endividados sobe para 66,3% no fim de 2020

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Entre as famílias que recebem até 10 salários mínimos, o percentual subiu para 67,7% do total – após três reduções consecutivas Foto: Freepik

Após três reduções seguidas, o número de brasileiros com dívidas voltou a subir no último mês de 2020, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A ida às compras ampliou o nível de endividamento.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) de dezembro apontou que 66,3% dos consumidores estão endividados, uma alta de 0,3 ponto percentual com relação a novembro. No comparativo anual, o indicador registrou aumento de 0,7 ponto percentual.

No corte de renda, as trajetórias do endividamento passaram a apresentar tendências semelhantes em dezembro. Entre as famílias que recebem até 10 salários mínimos, o percentual subiu para 67,7% do total – após três reduções consecutivas.

Para as famílias com renda acima de 10 salários, esta mesma proporção aumentou para 60%. Segundo a economista da CNC responsável pela pesquisa, Izis Ferreira, com o fim do auxílio emergencial em janeiro as famílias de menor renda assistidas pelo benefício precisam adotar maior rigor na organização dos orçamentos domésticos.

Inadimplência em queda

Apesar da alta do endividamento, os consumidores seguem conseguindo quitar débitos e compromissos financeiros. O total de famílias com dívidas ou contas em atraso apresentou a quarta redução consecutiva, caindo de 25,7%, em novembro, para 25,2%, em dezembro. Em comparação com igual mês de 2019, a proporção cresceu 0,7 ponto percentual. A parcela das famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, permanecerão inadimplentes teve nova retração, passando de 11,5% para 11,2%. Em dezembro de 2019, o indicador havia alcançado 10%.

Com relação aos tipos de dívida, a proporção de brasileiros que utilizam o cartão de crédito voltou a crescer, alcançando 79,4% das famílias – a maior taxa desde janeiro de 2020 – mantendo-se como a principal modalidade de endividamento. Além do cartão de crédito, o cheque especial também aumentou a sua participação entre as famílias endividadas. “Ambas são modalidades associadas ao consumo imediato e de curto e médio prazos”, destaca Izis.