Alimentos básicos inflacionados na mesa do fortalezense com altas de até 44,89%

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A inflação está desafiando o trabalhador até para comer itens bem básicos do dia a dia à mesa, como o tradicional arroz com feijão, e não para por aí Fotomontagem: Regina Carvalho

Aumentos de até 44,89% na variação anual. É com esses patamares de reajustes que o fortalezense tem convivido quando vai comprar alimentos básicos. No caso, essa foi a alta praticada para o feijão, aquele que está na mesa de todo brasileiro com o arroz, que também  disparou 32,7%. Indústria e fornecedores estão levantando preços e os supermercados acompanhando. Resultado: a inflação real no bolso do trabalhador está muito além da registrada pelo oficial IPCA.

Assim, aos poucos,ao longo dos meses os vilões dos preços foram, além do feirão e arroz, o óleo (38,99%), a carne (38,65%), a farinha (19,08%), o açúcar (17,94%), Leite (12,15%) e a manteiga (2,77). O conjunto dos 12 produtos básicos saltou 14,72%. Os únicos alívios vieram da banana (-12,32), mas que ainda tem grande variação no quilo, pois pode ser encontrada de R$ 2,49 a R$ 4,99, e o café (- 2,29%). Vale lembrar que o pão, não consta da cesta básica mas também já registrou aumentos e pode subir mais.

Repasses

Os supermercados figuraram entre os poucos setores a terem as vendas bastante elevadas durante a pandemia, ainda assim, os repasses ao consumidor estão sendo praticados. Também influencia a alta de preços partindo de itens básicos, mas que se espalha por grande parte dos itens, o dólar elevado, que favorece as exportações. Sobra para o brasileiro comprar mais caro, uma vez que o exportador embolsa o lucro maior e a demanda interna maior acaba gerando a elevação de preços.

Em agosto

Olhando apenas para agosto de 2020, o conjunto de produtos que compõem a cesta básica de Fortaleza registrou uma inflação de 1,63%. A alta nos preços  de oito dos 12 produtos da cesta básica fez com que um trabalhador, para adquirir os produtos, respeitadas as quantidades definidas para a composição da cesta, tivesse que desembolsar R$ 462,13. Considerando o valor e, tomando como base o salário mínimo vigente no País de R$ 1.045,00 (valor correspondente a uma jornada mensal de trabalho de 220 horas), pode-se dizer que o trabalhador teve que despender 97h e 17 minutos de sua jornada de trabalho mensal para essa finalidade. O gasto com alimentação de uma família padrão (2 adultos e 2 crianças) foi de R$ 1.386,39. Somente em agosto o óleo subiu 10,78%, a carne (4,61%) e o arroz (4,42%).

Brasil

No País, o preço da cesta básica aumentou, no mês de agosto, em 13 das 17 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), na comparação com o mês anterior. Em quatro capitais (Curitiba, Brasília, Natal e João Pessoa), o custo da cesta básica diminuiu.

O trabalhador comprometeu, em agosto, na média, 48,85% do salário-mínimo líquido – ou seja, após o desconto referente à Previdência Social – para comprar os alimentos básicos para uma pessoa adulta. Em julho, o percentual foi de 48,26%.

Cesta mais cara

Entre as capitais analisadas, a cesta básica mais cara foi a de São Paulo, onde o preço médio ficou em R$ 539,95; seguida por Florianópolis, com R$ 530,42. As cestas mais baratas foram as de Aracaju, com preço médio de R$ 398,47; e de João Pessoa, R$ 414,50.

Em São Paulo, houve alta de 2,9% na comparação com julho. No ano de 2020, o preço do conjunto de alimentos aumentou 6,6% e, nos últimos 12 meses, 12,15%. Na cidade de São Paulo, especificamente, o tempo médio de trabalho necessário para adquirir os produtos da cesta, em agosto, foi de 113 horas e 40 minutos, e o valor da cesta corresponde a 55,86% do salário-mínimo líquido.

Com base na cesta mais cara de agosto, que foi a da capital paulista, o Dieese estima que o salário-mínimo necessário para o sustento de uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças) deveria ser a R$ 4.536,12, o que corresponde a 4,34 vezes o mínimo vigente de R$ 1.045.

Percentualmente, a maior alta mensal ocorreu em Vitória, com 5,08% de aumento, o que deixou o valor da cesta em R$ 509,45. Considerando a variação no ano de 2020, Salvador teve a maior alta (16,15%), deixando o preço da cesta em R$ 418,72. Já nos últimos 12 meses, a maior alta foi registrada no Recife, um aumento de 21,44%, resultando na cesta de R$ 439,19.